A projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que em 2050 a população de idosos será de 63 milhões de pessoas. Em 1980 eram 10 idosos para cada 100 jovens, e em 2050 serão 172 idosos para cada 100 jovens, porque a esperança de vida ao nascer saiu de 43,3 anos, na década de 1950, para 72,5 anos em 2007, segundo o IBGE.
Além disso, segundo o Ministério da Saúde, existem hoje aproximadamente 3,8 milhões de idosos com algum grau de dependência no país. Por isso, o mercado de trabalho para os chamados cuidadores de idosos já tem bastante demanda e a tendência é aumentar cada vez mais.
O próprio Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social, planeja capacitar 21 mil cuidadores de idosos até 2011, meta do Programa Nacional de Formação de Cuidadores de Idosos, que será oferecido em 36 Escolas Técnicas do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país.
Os cursos de capacitação serão gratuitos (veja a relação de escolas e endereços abaixo).
A capacitação vai preparar os cuidadores para administração de medicamentos, prevenção de acidentes domésticos, diagnósticos de dificuldades e promoção da inserção social do idoso. O curso, que tem carga horária de 160 horas, é aberto a todos os interessados que sejam maiores de 18 anos e tenham ensino fundamental completo. Um projeto-piloto desenvolvido em 2008 já formou 300 cuidadores, em seis escolas técnicas do país.
O Ministério da Saúde lançou ainda o Guia do Cuidador do Idoso, que traz noções práticas para profissionais e leigos. Já foram distribuídos 80 mil exemplares em todo o país – clique aqui para ver o guia. O Ministério da Saúde tem ainda uma página no site dedicado aos cuidadores - clique aqui para ver.
Para ser cuidador de idosos é necessário fazer um curso livre de capacitação, cuja carga horária pode variar de 80 a 160 horas.
Profissionalização Jorge Roberto Afonso Souza Silva, presidente da Associação dos Cuidadores de Idosos de Minas Gerais (Aciminas), primeira entidade representativa da categoria no país, diz que a grande luta de quem trabalha na área é pela profissionalização do cuidador, que é considerada ocupação e não profissão pelo Ministério do Trabalho.
“Ao tornar uma profissão pode-se definir a carga horária, o piso salarial, a qualificação, as funções e a escolaridade. Hoje existem cursos de capacitação com cargas horárias variadas e é exigido a partir da 4ª série do ensino fundamental do candidato. Muitos que trabalham há mais de dois anos na ocupação também são reconhecidos como cuidadores”, diz Silva.
Os cuidadores podem trabalhar tanto em clínicas e casas de repouso como nos domicílios dos idosos – nesse caso eles podem trabalhar tanto como autônomos quanto para agências que fazem a intermediação do trabalho.
De acordo com Silva, o trabalho do cuidador é muito complexo pelo fato de envolver cuidados com o lado físico e emocional do idoso. “Imagina um cuidador que não consegue lidar com as dificuldades advindas do envelhecimento. Por isso vemos agressões contra os idosos, o que mostra que existem profissionais despreparados”, alerta.
Silva diz que a associação encaminha de 30 a 50 cuidadores por mês para famílias em Belo Horizonte de forma gratuita – a entidade tem 2,5 mil cuidadores associados. No site da entidade (www.aciminas.com.br) é possível os interessados solicitar os profissionais. De 2008 para 2009 houve aumento de 40% na demanda por cuidadores, segundo Silva - o dobro do aumento registrado no período de 2007 a 2008.
De acordo com o presidente da Aciminas, a jornada de trabalho é variável – pode ser por alguns dias da semana, só no período da noite, apenas durante o dia, só aos finais de semana ou com dedicação integral, no caso de o cuidador morar na casa do idoso.
Silva afirma que a média de remuneração do cuidador varia de R$ 700 a R$ 1,2 mil no país. “A média da hora paga é de R$ 3,50. Já o cuidador que trabalha só nos fins de semana ou faz plantão de 12 horas recebe R$ 4,15 por hora. E o valor do plantão de 12 horas é de R$ 50”, informa.
Apesar do esforço do Ministério da Saúde de capacitar cuidadores pelo país, Silva diz que há uma grande carência de cursos, apesar de estar aumentando o número de hospitais e instituições privadas que oferecem a capacitação – nesse caso os cursos são pagos.
Fonte: Marta Cavallini Do G1, em São Paulo
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